
A escassez de divisas estrangeiras em Moçambique já provocou o encerramento de mais de 500 empresas desde 2024, deixando cerca de 15 mil trabalhadores desempregados, segundo um estudo divulgado pelo Centro de Integridade Pública (CIP), em Maputo.
De acordo com a pesquisadora Teresa Boene, o problema da falta de moeda estrangeira está a ter impactos severos na economia nacional e no funcionamento das empresas moçambicanas.
“O encerramento de mais de 500 empresas aponta como uma das razões a escassez de divisas e, com uma média de 30 trabalhadores por empresa, estima-se uma perda superior a 15 mil postos de trabalho”, afirmou Teresa Boene.
O estudo do CIP conclui ainda que a falta de divisas no mercado moçambicano pode estar relacionada à retenção de moeda estrangeira por parte de agentes económicos e operadores financeiros.
Segundo a organização, muitos detentores de divisas preferem conservar moeda estrangeira ou comercializá-la fora do mercado oficial devido à instabilidade e dificuldades de acesso ao sistema bancário.
“Nós defendemos que há uma intenção de retenção de divisas, porque a taxa de câmbio não reflecte as condições reais do mercado e as pessoas preferem manter as divisas por questões de segurança”, explicou a pesquisadora.
A escassez de moeda estrangeira afecta principalmente empresas dependentes da importação de matérias-primas, combustíveis, equipamentos e outros produtos essenciais para as suas actividades.
Nos últimos meses, vários sectores económicos têm alertado para dificuldades no acesso ao dólar e outras moedas internacionais, situação que também contribuiu para atrasos em importações e aumento do custo de vida.
O estudo do CIP foi apresentado esta quarta-feira na capital moçambicana e reacende o debate sobre a necessidade de medidas económicas capazes de estabilizar o mercado cambial e recuperar a confiança dos investidores.
Fonte: CIP