Família acusa padre de apropriar-se de casa de idosa de 85 anos em Maputo

Família acusa padre de apropriar-se de casa de idosa de 85 anos em Maputo

Uma família da província de Maputo acusa um padre da Igreja Católica de ter se apropriado indevidamente da casa de uma idosa de 85 anos, solteira e sem filhos, num caso que está a gerar polémica e debate sobre ética, influência espiritual e legalidade de doações patrimoniais.

Segundo os familiares, a idosa pretendia doar o imóvel à congregação católica de Santa Ana da Munhuana, mas o sacerdote terá colocado a propriedade em nome próprio, em vez de registá-la oficialmente em nome da Igreja.

De acordo com a denúncia, o caso começou há cerca de dez anos, quando familiares foram alertados sobre a possibilidade de o imóvel estar a ser transferido para benefício pessoal do religioso. Após questionamentos, a família afirma ter descoberto que a propriedade não estava registada em nome da congregação.

O processo acabou por chegar ao Tribunal Judicial de Maputo. Entretanto, os familiares alegam que a sentença foi ocultada para impedir recurso dentro do prazo legal. Mais tarde, segundo a família, a própria Igreja Católica terá orientado que o imóvel fosse devolvido.

Apesar disso, a transferência da casa continua sem conclusão. Recentemente, uma reunião realizada no notário do Alto Maé terminou sem consenso, depois de o padre ter alegado pendências processuais e solicitado documentos adicionais.

Os familiares afirmam ainda que a idosa recebe apenas uma parte da renda mensal do imóvel, valor considerado insuficiente para garantir o seu sustento, obrigando os irmãos a ajudarem nas despesas.

Durante o debate do caso, o jurista Rosário explicou que doações envolvendo relações espirituais ou de dependência emocional podem tornar-se juridicamente sensíveis, sobretudo quando envolvem pessoas idosas ou fragilizadas.

Por sua vez, o padre rejeita as acusações e garante que a doação foi feita voluntariamente pela idosa, afirmando que a própria congregação decidiu devolver o imóvel após surgirem conflitos familiares.

O religioso sustenta ainda que o processo continua em apreciação judicial e que qualquer devolução definitiva depende da decisão das autoridades competentes.

Enquanto isso, a família aguarda o desfecho do caso e exige maior transparência no tratamento do património da idosa.

Fonte: Integrity Magazine

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