
O Banco Mundial reviu em baixa as perspectivas de crescimento económico dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), apontando o agravamento do conflito no Médio Oriente como um dos principais factores de pressão sobre as economias da região.
No caso de Moçambique, a instituição financeira internacional reduziu a previsão de crescimento económico para 0,9%, uma revisão negativa de 1,9 pontos percentuais em relação às estimativas anteriores. Segundo o relatório Perspectivas da Economia Global, divulgado em Washington, o país continua a sentir os efeitos da recessão registada após a violência pós-eleitoral.
A nível regional, o Banco Mundial reduziu igualmente a previsão de crescimento da África Subsaariana para 4%, abaixo dos 4,3% anteriormente projectados. Apesar de prever uma ligeira recuperação nos próximos anos, a instituição alerta para desafios significativos relacionados com a inflação, insegurança alimentar, aumento dos custos de produção e fragilidade das finanças públicas.
O relatório indica que a redução do uso de fertilizantes poderá provocar escassez de alimentos durante o segundo semestre de 2026 e ao longo de 2027, agravando a situação das populações mais vulneráveis.
Além de Moçambique, outras economias lusófonas também sofreram revisões em baixa. Angola deverá crescer 2,4%, Cabo Verde 4,8%, Guiné-Bissau 4,8% e São Tomé e Príncipe 2,9%. Já a Guiné Equatorial deverá regressar à recessão, com uma contracção económica estimada em 3,5%.
O Banco Mundial considera que o impacto do conflito no Médio Oriente poderá superar os benefícios das reformas estruturais e dos acordos comerciais recentes, afectando o investimento, as exportações e a estabilidade macroeconómica de vários países africanos.
A instituição alerta ainda que o crescimento económico previsto continua insuficiente para reduzir significativamente a pobreza extrema e acompanhar o aumento da força de trabalho, o que poderá contribuir para o agravamento do desemprego na região. Continua LER mais Clique Aqui
Fonte: Lusa
