Edson Cortez: “Moçambique Está a Ser Governado por uma Elite de Incapazes”

Blighity Paul
Edson Cortez: “Moçambique Está a Ser Governado por uma Elite de Incapazes”

O director do Centro de Integridade Pública (CIP), Edson Cortez, afirmou que Moçambique continua mergulhado numa crise de governação e acusou a elite política de incapacidade para responder aos principais desafios económicos e sociais enfrentados pela população.

Em entrevista ao portal MZNews, Cortez considerou que o actual Governo herdou um país fragilizado por anos de má gestão das finanças públicas, corrupção, falta de transparência e enfraquecimento das instituições. Segundo o responsável, os problemas acumulados ao longo dos últimos mandatos continuam a afectar negativamente a vida dos moçambicanos.

Na sua análise, a actual governação ainda não apresentou resultados concretos capazes de melhorar as condições de vida da população. O director do CIP apontou problemas persistentes como a corrupção, a crise de divisas, os raptos, a fraca produtividade económica e o elevado custo de vida.

Edson Cortez defendeu que a economia nacional continua excessivamente dependente da exportação de recursos naturais sem transformação local, situação que, segundo afirmou, limita a criação de emprego e reduz os benefícios para a maioria dos cidadãos. Para o analista, Moçambique precisa de políticas públicas que incentivem a produção interna e a diversificação da economia.

O responsável alertou ainda para um possível agravamento da situação económica nos próximos meses, apontando a subida dos preços dos combustíveis, a pressão sobre a moeda nacional e o aumento generalizado do custo de vida como factores que poderão aprofundar as dificuldades das famílias.

Relativamente ao combate à corrupção, Cortez manifestou dúvidas sobre a eficácia das medidas anunciadas pelas autoridades, defendendo reformas mais profundas e mecanismos mais eficazes de fiscalização e responsabilização dos gestores públicos.

O director do CIP também comentou a aparente redução dos casos de rapto registada nos últimos meses, considerando prematuro concluir que houve uma melhoria definitiva da situação de segurança no país. Segundo afirmou, será necessário acompanhar a evolução dos acontecimentos para avaliar se as mudanças serão sustentáveis.

Para Edson Cortez, a falta de reformas estruturais e a incapacidade de responder aos problemas económicos poderão alimentar novos focos de contestação social nos próximos anos, sobretudo se persistirem dificuldades relacionadas com emprego, rendimento e custo de vida.

As declarações do responsável do CIP surgem num momento em que diversos sectores da sociedade continuam a debater o desempenho das instituições públicas, a gestão dos recursos do Estado e os desafios do desenvolvimento económico em Moçambique.

Fonte: MZNews

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