
O economista e pesquisador do Centro de Integridade Pública (CIP), Gift Essinalo, criticou os elevados salários atribuídos aos administradores do Banco de Moçambique, considerando que os valores revelam uma desconexão entre a instituição e a realidade económica enfrentada pela maioria dos cidadãos.
Segundo Essinalo, as remunerações milionárias dos nove administradores do banco central contrastam com os desafios macroeconómicos que afectam o país, incluindo o elevado custo de vida, o desemprego e as dificuldades financeiras enfrentadas por milhares de famílias moçambicanas.
O pesquisador entende que os vencimentos e benefícios atribuídos à liderança do Banco de Moçambique demonstram falta de sensibilidade perante o actual contexto económico nacional, numa altura em que diversos sectores enfrentam limitações de recursos e exigências de contenção de despesas.
Para Gift Essinalo, a divulgação dos salários reacendeu o debate sobre a gestão dos recursos públicos e a necessidade de maior transparência e prestação de contas por parte das instituições do Estado.
O economista defende igualmente uma reflexão mais profunda sobre os critérios utilizados para a definição das remunerações dos gestores públicos, sobretudo em instituições financiadas com recursos que, directa ou indirectamente, têm impacto sobre as finanças nacionais.
As declarações surgem num momento em que vários sectores da sociedade civil e especialistas em governação questionam a disparidade salarial existente entre os altos dirigentes de algumas instituições públicas e a realidade económica vivida pela maioria da população moçambicana.
O debate sobre os salários dos administradores do Banco de Moçambique continua a gerar reacções no espaço público, com diferentes sectores a defenderem maior equilíbrio, transparência e responsabilidade na gestão dos recursos do Estado.
Fonte: Centro de Integridade Pública (CIP)
