
A empresa australiana South32 confirmou que está a avaliar diversas opções para o futuro da fundição de alumínio Mozal, em Maputo, após a suspensão das operações da maior unidade industrial de Moçambique desde 15 de março deste ano.
Em declarações à agência Lusa, a empresa explicou que a Mozal encontra-se atualmente em regime de manutenção e conservação, enquanto decorrem análises sobre possíveis soluções para o empreendimento e para a participação da South32 no projeto.
A posição surge numa altura em que a Corporação de Desenvolvimento Industrial da África do Sul (IDC), detentora de 32,48 por cento das ações da Mozal, estuda a possibilidade de adquirir a participação maioritária da South32, atualmente fixada em 63,7 por cento, e assumir a liderança da operação.
Para o efeito, a IDC lançou um concurso destinado à contratação de consultores independentes que irão avaliar os riscos, as condições comerciais e a viabilidade da aquisição, bem como as possibilidades de retoma das atividades da fundição.
Entre os aspetos em análise estão a viabilidade técnica da reativação da unidade, os custos operacionais, a identificação de fontes alternativas de energia e a definição de um modelo de financiamento sustentável para garantir a continuidade do projeto.
A South32 justificou a suspensão das operações com o elevado custo da energia elétrica. Segundo o diretor executivo da empresa, Graham Kerr, a única proposta formal apresentada pela Eskom previa uma tarifa próxima de 100 dólares por megawatt-hora, valor considerado economicamente inviável para a operação da fundição.
A empresa argumenta que a Mozal necessita de cerca de 950 megawatts-hora para funcionar continuamente e que a energia representa aproximadamente um terço dos custos operacionais da unidade. Para a South32, uma tarifa acima de 51 dólares por megawatt-hora torna a atividade insustentável.
Além da questão tarifária, a empresa aponta os efeitos da seca que afetou a Hidroelétrica de Cahora Bassa, principal fonte de energia do projeto, como outro fator que compromete a estabilidade do fornecimento energético nos próximos anos.
Antes da paralisação, a Mozal empregava diretamente entre quatro mil e cinco mil trabalhadores e desempenhava um papel significativo na economia nacional, representando uma importante fonte de emprego, exportações e contribuição para o Produto Interno Bruto de Moçambique.
Fonte: Lusa