Dívida Não Assumida pelo Estado no Banco de Moçambique Sobe para 128,9 Mil Milhões de Meticais

Dívida Não Assumida pelo Estado no Banco de Moçambique Sobe para 128,9 Mil Milhões de Meticais

O Auditor Independente das Demonstrações Financeiras do Banco de Moçambique voltou a aprovar com reservas as contas do Banco Central referentes ao exercício económico de 2025, devido à dívida acumulada do Estado moçambicano relacionada com flutuações cambiais.

Segundo o relatório da empresa Forvis Mazars SCAC, Lda., responsável pela auditoria das contas de 2024 e 2025, o Estado continua sem assumir responsabilidades financeiras acumuladas desde 2005, situação que contribuiu para o agravamento da dívida em cerca de 13,6 mil milhões de Meticais em apenas um ano.

De acordo com o documento, o montante acumulado da dívida ascendeu para 128,9 mil milhões de Meticais em 2025, contra 115,3 mil milhões registados no ano anterior.

O auditor refere igualmente que o Banco de Moçambique não procedeu ao registo de juros e rendimentos associados à dívida do Estado, avaliados em cerca de 27,6 mil milhões de Meticais.

A Forvis Mazars explica ainda que encontrou limitações no sistema contabilístico do Banco Central, particularmente na validação da rubrica de flutuações cambiais em moeda estrangeira, o que dificultou a obtenção de evidências suficientes para validar determinados saldos financeiros.

Segundo o relatório, esta situação compromete parcialmente a transparência e o rigor das demonstrações financeiras individuais e consolidadas da instituição.

Os dados mostram que o problema não é recente. Nas contas de 2022, os auditores já tinham identificado uma dívida acumulada superior a 90 mil milhões de Meticais, o que significa que, nos últimos três anos, o valor cresceu em cerca de 38,7 mil milhões de Meticais.

Apesar das sucessivas reservas apresentadas pelos auditores ao longo dos últimos anos, o problema continua sem solução definitiva, mantendo-se como um dos principais desafios financeiros associados à gestão do Banco de Moçambique.

Fonte: Carta de Moçambique
Foto: DR

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