
As autoridades moçambicanas iniciaram, na madrugada desta quarta-feira, o processo de recepção e repatriamento de cerca de 600 cidadãos nacionais que fugiram dos recentes ataques xenófobos registados na África do Sul.
Os moçambicanos procuravam escapar da onda de violência que, no último fim-de-semana, provocou a morte de nove cidadãos nacionais e espalhou medo em várias comunidades de imigrantes residentes naquele país vizinho.
Grande parte dos sobreviventes regressa ao país sem bens materiais, depois de abandonar residências e pertences para salvar a própria vida durante os confrontos.
Relatos recolhidos junto das vítimas descrevem cenários de extrema violência, marcados por perseguições, invasões domiciliares e agressões dirigidas contra cidadãos moçambicanos, independentemente da idade.
Muitos dos repatriados afirmam estar preocupados com familiares e compatriotas que permaneceram em território sul-africano, alguns escondidos e outros sem meios de transporte para abandonar as zonas afectadas pela violência.
Segundo os testemunhos, várias pessoas tiveram de enfrentar confrontos e fugir sob forte tensão até conseguirem alcançar a fronteira com Moçambique.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), através do Centro Nacional de Operações de Emergência (CENOE), garantiu que toda a operação de assistência humanitária e logística decorre de forma organizada.
As autoridades informaram que os cerca de 600 cidadãos abrangidos nesta fase estão a ser encaminhados para as suas zonas de origem, abrangendo províncias da região sul e também Manica, no centro do país.
O Governo moçambicano continua a acompanhar a situação na África do Sul, numa altura em que cresce a preocupação regional em torno dos episódios de violência contra imigrantes.
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Fonte: TV Miramar