Mondlane Denuncia Violência Política e Mais de 400 Mortos

O líder político Venâncio Mondlane acusou o Executivo moçambicano de ignorar a violência política e alegadas violações dos direitos humanos no país, numa carta aberta dirigida ao Presidente da República, Daniel Chapo.

No documento, Mondlane afirma que Moçambique atravessa um dos períodos mais delicados da sua história democrática recente, denunciando alegados actos de repressão contra cidadãos e membros da oposição. Segundo o político, a crise pós-eleitoral registada entre Outubro de 2024 e Março de 2025 terá provocado mais de 400 mortes durante manifestações e protestos em várias regiões do país.

Entre os episódios mencionados, Mondlane refere alegadas mortes de apoiantes durante o seu regresso ao país em Janeiro de 2025, bem como outros incidentes que atribui à actuação das Forças de Defesa e Segurança.

A carta também critica o que considera ser o incumprimento de compromissos alcançados durante um encontro realizado em Março de 2025 para promover a pacificação nacional. Entre as medidas discutidas estavam a cessação da violência, assistência às vítimas, indemnização das famílias afectadas e libertação de detidos relacionados com manifestações.

O dirigente da ANAMOLA denuncia ainda alegadas perseguições contra membros do seu partido, afirmando que centenas de casos envolvendo homicídios, raptos, detenções arbitrárias, agressões físicas e destruição de bens foram registados desde a legalização da formação política.

Outro ponto destacado por Mondlane é a alegada falta de resposta da Presidência da República à proposta de integração da ANAMOLA na Comissão Técnica para Operacionalização do Acordo Político, situação que considera prejudicial aos esforços de reconciliação nacional.

Apesar das críticas, o político reafirma a sua disponibilidade para o diálogo e para a construção da paz, defendendo que a inclusão política e o fortalecimento dos mecanismos de justiça são essenciais para garantir a estabilidade e a coesão social em Moçambique.

Até ao momento, a Presidência da República não reagiu publicamente ao conteúdo da carta nem às acusações apresentadas pelo líder político.

Fonte: Integrity Magazine

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