
A polícia sul-africana está a investigar o assassinato de dois cidadãos moçambicanos na cidade de Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental, em meio ao aumento das tensões relacionadas com a imigração ilegal e alegações de ataques xenófobos na África do Sul.
As vítimas, de 27 e 43 anos, foram mortas no último sábado, segundo informações divulgadas pelas autoridades sul-africanas. A polícia esclareceu que a motivação do crime ainda não foi confirmada e que as investigações continuam em curso.
Anteriormente, o Governo de Moçambique havia anunciado que cinco cidadãos moçambicanos morreram “como consequência directa de ataques xenófobos” ocorridos recentemente naquele país. Contudo, as autoridades sul-africanas afirmam que ainda não existem provas conclusivas que confirmem a motivação xenófoba dos crimes.
Os incidentes ocorreram numa altura em que se registam protestos em várias zonas da África do Sul exigindo medidas mais rígidas contra a imigração ilegal. Alguns governos africanos alegam que estas manifestações têm resultado em actos de violência contra cidadãos estrangeiros.
Na sexta-feira passada, violentos distúrbios foram registados num assentamento em KwaNonqaba, onde mais de 50 barracas foram incendiadas. Cinco pessoas foram detidas por alegado envolvimento nos actos de incêndio criminoso.
Uma cidadã moçambicana, identificada como Dolinda Mabunda, contou à imprensa local que a sua família foi obrigada a fugir depois de manifestantes ameaçarem incendiar a residência onde viviam.
“Disseram que devíamos ir embora ou nos machucaríamos”, relatou.
O Governo moçambicano revelou ainda que cerca de 800 cidadãos nacionais terão sido afectados pelos episódios de violência. Deste número, aproximadamente 300 regressaram a Moçambique no sábado, enquanto outros 500 deverão regressar nos próximos dias.
As autoridades moçambicanas informaram também que duas pessoas morreram num acidente de viação durante o processo de retorno ao país.
Perante o agravamento da situação, vários países africanos, incluindo Malawi, Lesoto, Zimbábue, Quénia e Gana, recomendaram aos seus cidadãos que permaneçam vigilantes na África do Sul.
A xenofobia continua a ser um problema recorrente na África do Sul, país que acolhe oficialmente mais de três milhões de estrangeiros, embora se estime que o número de imigrantes sem documentação seja bastante superior.
Fonte: BBC / Autoridades sul-africanas