
Pelo menos quatro cidadãos moçambicanos morreram e vários outros ficaram feridos durante confrontos registados em Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental, na África do Sul.
A informação foi avançada por Manuel Chicanhane, líder da comunidade moçambicana naquela região sul-africana, em declarações à Rádio Moçambique.
Segundo o responsável, os confrontos envolveram cidadãos moçambicanos e sul-africanos, num contexto marcado por tensões e ataques dirigidos contra estrangeiros residentes na localidade.
Manuel Chicanhane explicou que as vítimas foram atacadas com extrema violência, incluindo o uso de catanas, facas e pedras.
“Usaram instrumentos, catanas, os outros foram esfaqueados e os outros também foram batidos pelas pedras”, afirmou o líder comunitário.
Além das mortes, vários moçambicanos ficaram feridos e alguns continuam internados em unidades hospitalares, embora ainda não exista um número oficial actualizado das vítimas.
De acordo com o responsável, os episódios de violência começaram na noite de quinta-feira e culminaram em ataques contra casas de moçambicanos e de outros cidadãos estrangeiros residentes em Mossel Bay.
“Quase acenderam todas as casas de moçambicanos naquele bairro. Os estrangeiros reagiram para se defender também. Por isso aconteceram essas mortes”, explicou.
Os incidentes reacendem as preocupações em torno da xenofobia na África do Sul, país que nos últimos anos tem registado vários episódios de violência contra migrantes africanos.
No início deste mês, manifestações contra a imigração terminaram em ataques a estabelecimentos comerciais pertencentes a estrangeiros na província do Cabo Oriental.
Apesar disso, durante uma visita recente à África do Sul, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou não existirem registos oficiais de moçambicanos mortos ou feridos em incidentes xenófobos no país vizinho, criticando igualmente a circulação de informações falsas sobre o assunto nas redes sociais.
Dados oficiais indicam que cerca de 300 mil moçambicanos vivem actualmente na África do Sul. Em ocasiões anteriores, milhares de cidadãos regressaram a Moçambique devido aos episódios de violência xenófoba.
Fonte: DW África / Lusa
Foto: DR