O ministro da Saúde, Ussene Isse, defende o reforço da capacidade de diagnóstico e tratamento em Moçambique para reduzir a transferência de pacientes para o estrangeiro, sobretudo para a África do Sul. O governante apresentou esta posição na quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, durante uma exposição do sector da Saúde, em Maputo.
Na ocasião, Isse apelou à colaboração entre o Governo, o sector privado e os parceiros para melhorar a resposta do Sistema Nacional de Saúde, destacando a necessidade de encontrar soluções nacionais para doenças que actualmente exigem assistência especializada fora do país.
Uma das principais preocupações é a inoperacionalidade do equipamento de radioterapia existente em Moçambique. Segundo o ministro, as tentativas de reabilitação não avançaram devido à indisponibilidade de peças no mercado, uma vez que o aparelho foi descontinuado. Perante a situação, defendeu a mobilização conjunta de recursos para adquirir um novo equipamento, essencial ao tratamento de determinados tipos de cancro.
O governante apontou igualmente a produção nacional de medicamentos e material médico-cirúrgico como prioridade. Recordou que a pandemia da Covid-19 expôs as dificuldades do país no acesso a insumos hospitalares e afirmou que os processos de aquisição internacional podem demorar entre 18 e 24 meses.
Para Isse, investir na produção local poderá reduzir a dependência das importações, melhorar o abastecimento das unidades sanitárias e permitir respostas mais rápidas às necessidades dos pacientes. O ministro considera que a cooperação entre o Estado, as empresas e outros parceiros será fundamental para fortalecer o sistema de saúde e melhorar a assistência à população.
