Salomão Moyana alerta para possível influência do PCC em Moçambique

O jornalista e comentador Salomão Moyana alertou para os riscos associados ao tráfico internacional de droga em Moçambique e para a possibilidade de redes criminosas organizadas estarem a estabelecer estruturas de apoio no país. As declarações foram feitas no programa “A Semana com Salomão Moyana”, da TV MBC.

Durante a conversa, Moyana destacou a importância de uma conferência nacional de prevenção e combate à droga, organizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que reuniu magistrados, governadores provinciais, membros do Governo e outras personalidades nacionais.

Um dos temas abordados foi o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do Brasil. 

Segundo Moyana, o magistrado brasileiro Lincoln Gakiya, especialista no combate à organização, explicou durante a conferência como o grupo desenvolveu uma estrutura hierárquica e conquistou influência em determinadas comunidades, ao mesmo tempo que mantém actividades ligadas ao tráfico internacional de cocaína.

Moyana alertou que organizações desta natureza podem conquistar a confiança das populações através de ajudas comunitárias e da resolução de problemas locais, criando uma imagem de aparente benemerência que pode dificultar a identificação da sua verdadeira actividade criminosa.

O comentador chamou igualmente a atenção para a posição geográfica de Moçambique nas rotas internacionais do narcotráfico. Na sua análise, os portos de Nacala e da Beira, bem como as rotas marítimas ao longo da costa moçambicana, representam pontos que exigem maior vigilância por parte das autoridades.

Durante a intervenção, Moyana referiu ainda o caso de Fuminho, apontado como ligado ao PCC e extraditado após ser capturado em Moçambique.

Segundo o comentador, a experiência apresentada por Lincoln Gakiya levantou preocupações sobre a possibilidade de redes criminosas terem criado bases de apoio no território nacional. Estas afirmações não constituem, por si só, confirmação independente da existência de uma estrutura operacional do PCC em Moçambique.

Outro aspecto levantado foi a possível ligação entre o tráfico de droga e o financiamento do terrorismo em Cabo Delgado. Moyana considerou que os lucros provenientes do narcotráfico podem, em determinados contextos, ser utilizados para adquirir armamento e financiar actividades de grupos armados, embora essa ligação específica não tenha sido demonstrada na conversa como um facto comprovado.

Perante estes desafios, o jornalista defendeu maior coordenação entre as forças de defesa e segurança, a magistratura e outras instituições do Estado. Na sua opinião, é necessário reforçar a investigação criminal para identificar não apenas os transportadores e intermediários, mas também os financiadores e os responsáveis pela organização das redes.

Moyana sublinhou que a apreensão de droga, sem a identificação dos mandantes, não é suficiente para desmantelar estruturas criminosas complexas. Por isso, apelou a uma resposta articulada e a uma vigilância reforçada para evitar que organizações internacionais do crime organizado ampliem a sua influência em Moçambique.

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