Ngungunyane: O Último Imperador do Reino de Gaza

Ngungunyane: O Último Imperador do Reino de Gaza

Ngungunyane Mzila Nxumalo, também conhecido como Ngungunyani, foi o último grande imperador do Reino de Gaza e uma das figuras mais marcantes da resistência africana contra a ocupação colonial portuguesa em Moçambique.

Filho de Mzila e neto de Soshangane, fundador do Império de Gaza, Ngungunyane liderou um dos maiores reinos da África Austral no final do século XIX, consolidando o poder político e militar no sul do actual território moçambicano.

Segundo registos históricos, foi durante o seu reinado que vários grupos Ndau, incluindo famílias como Sitoe, Ntivhani, Moyani, Mhlanga e Mashava, foram deslocados para diferentes regiões do sul do país, sobretudo para Mandlakazi, conhecida tradicionalmente como “Mandla ya Gaza”.

Ngungunyane tornou-se símbolo de resistência à expansão colonial portuguesa, protagonizando confrontos militares que marcaram a história de Moçambique.

Entretanto, o imperador acabaria capturado em 1895 pelas forças portuguesas lideradas por Mouzinho de Albuquerque, após episódios de conflito e alegadas traições internas envolvendo figuras ligadas ao seu círculo de confiança, entre elas Shipenanyani Makupulani Mbingwana Dzovwo, segundo narrativas populares.

Após a captura, Ngungunyane foi transportado do Xai-Xai para Lourenço Marques, actual Maputo, a bordo do navio “Neves Ferreira”, acompanhado por duas das suas sete rainhas e vários membros da sua comitiva.

Posteriormente, seguiu viagem no vapor “África” rumo a Lisboa, chegando à capital portuguesa no dia 13 de Março de 1896.

Relatos históricos indicam que milhares de pessoas se concentraram no cais para ver o imperador africano que havia desafiado o domínio colonial português.

Em Portugal, Ngungunyane recebeu o nome de “Frederico” e acabou exilado na Ilha Terceira, nos Açores, onde viveu os últimos anos da sua vida até à sua morte, em 1906.

Apesar da derrota militar, Ngungunyane permanece até hoje como uma figura histórica de grande importância em Moçambique, associado à resistência, identidade cultural e memória do antigo Reino de Gaza.

Fonte: Redacção
Foto: DR

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